Eiras SingleTrack’17

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Foi exactamente o que aconteceu com a comitiva da Rota da Rolha BTT, que este ano marcou presença na nona edição do Eiras SingleTrack com seis elementos (infelizmente o sétimo inscrito não participou devido a baixa médica), contrastando com a dupla presente em 2016.

As memórias do ano transacto e os relatos que fiz acerca de singletracks brutais, ao longo de um quarteirão de quilómetros, despertaram o interesse no seio da família rolha. Carregava uma enorme responsabilidade pela publicidade feita, mas estava confiante pois sabia que a malta da Roda Pedaleira não me iria deixar ficar mal.

Como é hábito o toque de alvorada foi dado quando o dia tinha apenas meia dúzia de horas e lá rumámos nós ao centro do país. Ao desaguarmos em Eiras a animação estava já instalada, com a habitual rotina de levantamento de dorsais e de ultimar pormenores.

O alcatrão inicial rapidamente deu o seu lugar aos trilhos, que foram surgindo quilómetro após quilómetro. Com cerca de duzentos participantes a pedalarem em trilhos estreitos, seria expectável que surgisse um engarrafamento inicial. Mas, a malta da Roda Pedaleira contornou bem esta situação criando, logo nos primeiros quilómetros, um singletrack bastante técnico, composto de passagens estreitas e escadas, onde um elemento do staff geria a descida dos participantes em conta gotas. Esta “travagem forçada” permitiu esticar o pelotão e não voltaram a surgir engarrafamentos até ao final.

Se Abril não foi de águas mil, em Maio estava a chover como o c@r&!#*, por isso era de prever um terreno algo escorregadio. Porém, o terreno apresentava-se impecável, com segmentos escorregadios é certo, mas nada mole e super ciclável.

Do menu constavam pelo menos 14 singletracks certamente cheios de adrenalina e diversão, onde a destreza e os famosos kit de unhas seriam colocados à prova. E assim foi!
Que trilhos fantásticos, muitos deles criados no meio do nada, descidas vertiginosas, paisagens brutais.
Os adjectivos são escassos para descrever os 25 quilómetros de diversão, sediados em Eiras.

Terminámos esgotados, com algumas medalhas resultantes das várias quedas, mas com muitos sorrisos.
Pena que a fraca condição física em que nos encontramos não nos tenha permitido desfrutar ainda mais dos trilhos, pois são merecedores disso!
Pessoalmente foi uma satisfação ouvir os meus companheiros no final exclamar “Duro mas altamente! É para repetir!”

A cereja no topo do bolo foi a conquista do nosso primeiro troféu, um terceiro lugar entre as equipas mais numerosas!

Mais uma vez, a malta da Roda Pedaleira esteve impecável, tanto na gestão do percurso, como no pós passeio.
Simpatia sempre presente!

Ricardo Marques
2017/05/14

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Rota dos Besouros’17

Comdorsal o mês de Janeiro em pleno sprint final chegou o momento de carimbar o regresso às provas de btt. O treino intermitente e a forma física duvidosa pediam algo rolante e com pouca altimetria. A escolha recaiu no regresso à Rota dos Besouros, em Sepins, Cantanhede.

Após longos dias gélidos, porém secos, onde as vagas de frio dominaram as notícias e o dia-a-dia, eis que o S.Pedro se apercebeu da proximidade da Rota dos Besouros e decidiu ordenar o regresso da chuva. Segundo fiquei a saber hoje, dias de sol e Rota dos Besouros são uma raridade.
A participação na edição de 2015 (ver aqui) ficou marcada por muita lama, cenário que não sofreu grandes alterações nesta 11ª edição do certame. Hoje, à muita lama veio juntar-se a chuva que, embora fraca, não cessou funções.

Depois de um ligeiro atraso na partida, os primeiros quilómetros foram, como é habitual, percorridos em alcatrão. Mas, assim que saímos da estrada, começou o espectáculo de lama, enormes poças de água, raízes, e, por vezes, verdadeira patinagem em duas rodas.

A primeira quinzena de quilómetros foi maioritariamente em estradões, uns com mais lama e água do que outros, mas geralmente rápidos.
Aqui e ali foram surgindo uns segmentos engraçados, tais como, uma travessia numa ponte de estrados, um singletrack bastante ondulante e uma ou outra descida mais a pique.

O tratamento de lama continuou até ao reforço, situado por volta do quilómetro vinte e três.
Neste ponto o tratamento foi outro!
Dois fogareiros iam fornecendo churrasco variado aos participantes enlameados, pão e vinho também não faltavam. Para os menos audazes ainda havia fruta diversa, marmelada, bolinhos, sumos e água.
Tudo isto era condimentado pela música pimba que “bombava” sem pudor.

Com o estômago mais aconchegado era tempo de regressar à lama que, daqui em diante, foi predominante.
Por esta altura, já tinha decidido abdicar de percorrer os cinquenta quilómetros. Ainda me sentia bem mas, mais quilómetro menos quilómetro, o estado do terreno iria fazer estragos.
Por isso, optei por tirar o melhor partido possível do que restaria para concluir o trajecto referente aos trinta quilómetros.
Esta fase final foi a mais divertida, onde vários singletracks assumiram papel de destaque. Slaloms entre árvores, descidas escorregadias e trilhos estreitos fizeram as delícias dos participantes.

À chegada, aguardava-nos uma excelente sopa à lavrador bem quentinha. E que jeito deu para aquecer o corpo e a alma!

Por apenas haver uma mangueira disponível, abdicámos da lavagem das bicicletas. E bem que precisavam de uma lavagem!
Os banhos foram em modo “quente/frio”, pois a temperatura da água não era constante.
A 11ª edição da Rota dos Besouros terminou, como é habitual, com um belo repasto de leitão à bairrada.

A organização está, mais uma vez, de parabéns. Ninguém é perfeito e falhas há sempre mas, dadas as condições climatéricas e o estado dos trilhos, conseguiram proporcionar uma bela manhã de btt aos dois elementos da Rota da Rolha que marcaram presença.

Ricardo Marques
29/01/2017

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Lama Solta’16

“- Vamos à festa?
– Vamos, sim!! Mas onde?
– Epá, isso nem se pergunta! Vamos onde a verdadeira festa acontece, no Louriçal claro!!”

E foi assim pelo terceiro ano consecutivo.
A freguesia do Louriçal e o Raid Btt Lama Solta entraram definitivamente no nosso mapa betetista. Pode dizer-se que foi “amor” à primeira vista. E esse “amor” tem vindo a aumentar, expresso este ano pela participação recorde de oito elementos do Rota da Rolha BTT, três deles estreantes.

Uma organização de excelência, constituída por gente empenhada, unida, com um notável espírito de bem receber e com visível orgulho naquilo que faz, são os pilares de um evento sem igual.
E, após duas participações, quando já pensávamos ter visto tudo aquilo que podem oferecer, lá estão eles a surpreender: ora com mais um trilho, ora com mais efeitos sonoros, ora com mais comédia e boa disposição.
Não me canso de dizer (e de escrever) que encarnam na perfeição o verdadeiro espírito do BTT, fazendo com que cada um dos participantes se sinta em casa. Isso poucos conseguem! Só quem lá vai entende a loucura de, num domingo, sair da cama pelas seis da manhã.

Vamos ao filme de 2016…

No Raid BTT Lama Solta, este ano novamente com dupla opção _ Passeio (35km) ou Raid (50kms) _ ,há classificação por tempo. Mas, para os Rolhas, o cronómetro que mais importa é o da contagem decrescente para o início da prova. Esse é o nosso verdadeiro contra-relógio e, fruto da “dureza” do mesmo, a cauda do pelotão está sempre reservada para nós.

Infelizmente, este ano acabámos por “pagar caro” por isso. Os primeiros singletracks surgiram um pouco mais cedo e com eles os primeiros engarrafamentos.
Assim, em modo pára-arranca,  foram os primeiros quinze quilómetros.
Quando já fazíamos contas se ainda teríamos chance de chegar à divisão dos dois percursos antes do fecho do Raid, somos literalmente atacados por dois capuchinhos vermelhos, vítimas de um lobo mesmo mau. É difícil aguentar tamanha violência…florestal!

Chegados ao reforço, já contabilizávamos duas horas e a “porta” do Raid estava quase a encerrar.
Reunida a família, excepto o Sotero e a sua bicicleta a motor, chegámos à conclusão de que havia apenas dois voluntários para percorrer os cinquenta quilómetros.
A cinco minutos do fecho, eu e o Mota, conseguimos embrenhar pelo percurso mais longo. Tínhamos noção para aquilo que iríamos e o que nos esperaria.
Comparativamente com as duas edições anteriores, desconfiávamos que os duros mas belos trilhos da pedreira fariam parte do menu.
E assim foi.
Quilómetros de sobe e desce, em formato de carrossel, foram fazendo mossa e, à passagem dos trinta e sete quilómetros, as primeiras cãibras foram dando sinal. Durante cinco quilómetros foi um martírio, ora surgiam numa perna, ora na outra.
Pensar em desistir? Nem por sombras! A experiência do ano anterior não era para ser repetida e este ano era para chegar à meta, nem que fosse a rastejar!

Quando já fazia contas aos quilómetros que restavam eis que surgem mais duas novidades para mim, visto que no ano passado não concluí a totalidade do percurso. A primeira consistia na passagem de uma lagoa através de uma ponte semi flutuante.
A novidade seguinte tratava-se da passagem pelo interior de uma galera de um camião, com máquina de cerveja incluída (já seca, infelizmente).

Cansado, mas de alma cheia, cheguei à meta mais de cinco horas depois da primeira pedalada. Mas, tal como referi, o tempo final é irrelevante.

Tal como em 2015, a festa estava montada no Instituto D.João V, com um mega almoço, música, entrevistas da Lama TV e muita música.

De salientar um percurso de qualidade, recheado de singletracks brutais e subidas “quebra correntes” qb; a presença constante de elementos do staff nos cruzamentos; muitos pontos de água; sinalética sempre divertida; animação e criatividade; banhos quentes (até demais) mesmo às três da tarde; dorsais personalizados com nome de atleta e equipa; brindes originais e sempre úteis.
Quanto à troca das fitas pela cal, pessoalmente não sou grande fã do sistema, mas até cumpriu.

Quando já sabemos “aquilo que a casa gasta” os lamacentos insistem em mostrar uma invejável capacidade de surpreender. E ainda bem para todos aqueles que se deslocam ao Louriçal, em Setembro.

Um bem haja a todos!
Até 2017

P.S.:Para quando um trilho da rolha?!

Ricardo Marques
2016/09/25

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Rota de Souto’16

_20160719_234741Parece que se passaram séculos desde a última participação numa prova de BTT. O enguiço de lesões que, nos últimos tempos, assolou alguns elementos da equipa, aliado a indisponibilidades várias, obrigaram-nos a uma breve pausa no panorama betetista.
Diz o ditado que “não há fome que não traga fartura” e nós queremos fazer jus a essas sábias palavras.

Depois de no mês anterior termos percorrido os 250 kms do Caminho de Fátima, ao longo de três etapas, decidimos que o mês de Julho era merecedor de uma prova de BTT.
Para “apadrinhar” o regresso optámos pela IV Rota de Souto, em S. Miguel de Souto, às portas de Santa Maria da Feira. Seria uma estreia absoluta neste certame. Bom, para ser sincero, tratou-se de uma “meia estreia” pois, em Dezembro último, recorremos ao track de GPS da edição de 2015 para nos servir de palco ao nosso convívio de Natal. Como gostámos dos trilhos decidimos voltar, agora mais “a sério”.

E que bela comitiva se apresentou em terras de Souto! Nada mais nada menos que sete elementos, entre os quais um estreante nas lides betetistas.

Apesar de o nosso “feirense” ter realizado o levantamento dos dorsais no dia anterior à prova, como é nossa imagem de marca, arrancámos bem na cauda do pelotão. Atrás de nós estariam meia dúzia de bicicletas apenas.
Ainda antes da partida, o pároco local procedeu à cerimónia da bênção das bicicletas. E bem precisaríamos dessa bênção para enfrentar os quarenta quilómetros, com cerca de mil e cem metros de acumulado de subida.
Para apimentar ainda mais estes dados havia a “guerra” entre S.Miguel e S.Pedro. Enquanto que o primeiro nos presenteava com o pó nos trilhos, o segundo brindava-nos com muito calor.
Como forma de compensar estas dificuldades fomos surpreendidos por trilhos fantásticos, rasgados nos bosques circundantes e pejados de motivos de adrenalina. E houve de tudo um pouco: chicanas entre o arvoredo, subidas exigentes, descidas supersónicas e bons singletracks. Mesmo a estrada, por vezes, oferecia-nos obstáculos, nomeadamente paredes para trepar.
Por outro lado, a estrada trazia a energia dos populares, que vibravam bastante à nossa passagem. Alguns elementos do Rota da Rolha BTT receberam o incentivo popular em estado líquido, através de vinho e champanhe.

A organização está de parabéns pelo certame apresentado pois, no somatório dos pontos chave, esteve bastante bem: a presença de fotógrafos foi bastante evidente ao longo do percurso, assim como de elementos do staff nos cruzamentos; a nível de sinalização achámos que estava presente de forma abundante e eficaz; o reforço não era muito abundante em variedade mas cumpriu a missão e, além disso, houve dois durante o percurso; os pontos de água também foram em grande número, um elemento fundamental para vencer o calor; a lavagem das bicicletas e até mesmo o almoço. Relativamente ao percurso, tínhamos como referência o percurso da 3ª edição, e fomos completamente surpreendidos pela positiva.

Regressámos com um mega empeno, mas regressámos contentes.

Ricardo Marques
2016/07/17

 

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Eiras Singletrack 2016

Vinte e cIMG_20160502_164015inco quilómetros em singletrack? Como é possível fazer tal coisa? Nahhh, certamente é publicidade enganosa.
Enganam-se os que assim pensam pois não só é possível como é real! E é no centro do país que está montado o parque de diversões, mais concretamente na freguesia de Eiras, na periferia de Coimbra.

Em pleno Dia do Trabalhador o sol não tirou folga e apareceu em força, tal como o vento que ameaçava ser um empecilho.
À nossa chegada, no interior da escola, o espectáculo já estava montado. O levantamento dos dorsais e o pequeno almoço foram acompanhados por muita música, proveniente de uma mega coluna sonora. Num recanto, havia malta a fazer churrasco e a beber cerveja. O Eiras Singletrack aparentava ter a nossa cara.

Antes da partida houve ainda tempo para, em dois dedos de conversa, rever companheiros de pedalada.
Com a expectativa em alta e uma enorme curiosidade por satisfazer arrancámos para, esperávamos nós, uma barrigada de singletracks.

O alcatrão inicial rapidamente passou a memória longínqua e os trilhos foram surgindo uns atrás dos outros. E que trilhos!
Durante pouco mais de duas dezenas de quilómetros apenas houve espaço para a diversão, para os “eishh, que loucura!”, para a adrenalina nos píncaros, para muito riso (mesmo aquando das quedas) e para a surpresa constante.
Descidas vertiginosas, subidas exigentes, Vinho do Porto em pleno monte, pedra, vegetação, ruínas, moinhos, pontes, ziguezagues, escadas que desaguam dentro de um café!!, pátios de casas,… houve de tudo um pouco. E tudo tão bom!

É de louvar o trabalho realizado pela Roda Pedaleira na procura e construção dos trilhos por onde pedalámos. Onde parecia impossível circular lá estava um trilho, onde o terreno não permitia continuar lá estava uma ponte. Nunca é de mais recordar que a diversão de uns advém do esforço prévio de outros.

A explosiva carga de singletracks no terreno deu lugar a um último singletrack dentro da escola. Uma enorme mesa serviu de palco a um mega almoço de convívio, onde se recordaram as peripécias vividas ao longo da manhã.

A Roda pedaleira está de parabéns pela manhã de diversão proporcionou a todos aqueles que se deslocaram a Eiras. Os trilhos, uns mais agressivos que outros, eram divertidos e variados. A população vibrou à nossa passagem e o staff mostrou-se sempre preocupado e prestável. Pena a água fria no final, mas estávamos avisados.

Esperamos voltar futuramente com mais elementos do Rota da Rolha BTT.

Ricardo Marques
2016/05/01

 

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Rota da Lampreia’16

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Aonde nos vamos meter?

Era este o pensamento que nos dominava, perante o cenário climático que se desenhava diante dos nossos olhos. O vento frio aliado à chuva intensa, que dificultava a visualização das marcações da auto-estrada, faziam antever uma manhã de BTT bem complicada. Para ajudar à festa o S.Pedro também nos brindava, aqui e ali, com flashes e foguetes, leia-se relâmpagos e trovões.
Felizmente, apenas se tratava do cartão de despedida do Grande Porto pois, ao chegarmos a Darque, apenas o vento insistia em nos acompanhar.

No secretariado, instalado no centro de canoagem local, ainda equacionámos em requisitar uma canoa para percorrer os 35 quilómetros da V Rota da Lampreia mas, apesar de haver lá uma em tons de verde, pendant perfeito com o nosso equipamento, desistimos da ideia e permanecemos fiéis às nossas companheiras de duas rodas.

Ultrapassada a habitual logística que antecede a primeira pedalada rumámos ao local de partida, situado na margem do rio Lima, junto ao edifício da Associação de Reformados de Darque. Curiosamente ao chegarmos ao local o movimento era reduzido. O mau tempo demoveu muitos participantes, pensávamos nós.

Como ainda nos restava algum tempo até ser dada a ordem de partida resolvemos aquecer o corpo à custa de um café, cortesia da organização.
Até parece que estavam todos a aguardar uma “distracção” nossa para nos reservarem a cauda do pelotão. Assim que terminámos o café já a box de partida estava repleta, sobrando-nos por isso os lugares do costume. Estávamos lá para nos divertirmos e esse foi apenas mais um motivo de gargalhada.

A Rota da Lampreia foi um dos primeiros eventos de BTT em que participei. Estive presente na sua primeira edição, em 2012, e na altura fiquei com uma boa impressão acerca do trajecto e dos trilhos da região, apesar da pouca experiência enquanto betetista. A vontade de regressar a Darque existia e foi satisfeita este ano.
Nesta quinta edição contávamos estar presentes com cinco elementos Rota da Rolha BTT mas, por motivos diversos, a comitiva ficou reduzida a apenas dois elementos. Mas o espírito manteve-se e a motivação também.

Os primeiros quilómetros foram em estilo slalom entre as inúmeras covas cheias de água, sempre ladeados pelo rio Lima, perante o olhar atento da cidade de Viana do Castelo lá na outra margem.
Das margens fluviais rapidamente passámos para a costa atlântica. Um passadiço de madeira, qual passadeira estendida, fazia a separação entre a praia e um parque de campismo.
De povoação em povoação rumámos a Castelo de Neiva, local onde estavam reservados alguns dos melhores e mais técnicos trilhos da manhã. Curiosamente, a maior parte deles situava-se em pleno Caminho Português de Santiago, versão da costa. Felizmente, para bem de todos, não nos cruzámos com nenhum peregrino nesta fase em que adrenalina subiu um pouco.
Com o objectivo de recuperar o fôlego, ainda nesta zona, estava situado o reforço. Sumos, água, fruta e doces ajudaram a retemperar as forças e permitiram atestar o depósito para o que ainda faltava pedalar. Quase de saída fugazmente ouvi alguém dizer que o pior ainda estava para vir. Simples brincadeira, pensei eu.
Logo após o reforço cruzei-me com um considerável grupo de participantes em contra-mão. Pelos vistos, tantos olhos foram insuficientes para avistar uma fita mais escondida. Felizmente recuperaram o trajecto correcto mesmo a tempo de serem brindados com um segmento pejado de lama, pedra e água onde foram necessários alguns dotes de equilibrismo para conseguir evitar betetistas menos ousados.

A chuva, que até então não passava de uma ameaça, resolveu desabar a cerca de dez quilómetros do final. Mas, foi visita de médico pois, passados uns momentos o S.Pedro fechou a torneira e até deixou escapar um tímido raio de sol.

No regresso à civilização serviram-nos o bolo completo, com a cereja no topo incluída! Nahhhh, não comecem a pensar que houve segundo reforço repleto de doces. Nada disso! Falo-vos de um fantástico segmento de downhill urbano onde não podiam faltar as belas escadas. Ora em degraus desgastados pelo tempo, ora em escadarias modernas, as descidas foram surgindo entre vielas labirínticas. Não esperávamos este brinde, mas gostámos muito de abrir as suspensões e rolar por ali abaixo.

Mas, as surpresas não terminariam ali. À semelhança da primeira edição, a V rota da Lampreia teve como ponta final um trilho junto do rio Lima, mas este ano havia a novidade de uma ponte construída para o evento.
Para acedermos à recta da meta foi necessário pedalar em pleno rio Lima, tarefa possível graças ao facto de a maré ter baixado.

No final, como tem vindo a ser hábito nas provas em que participámos, houve sorteio de brindes para os participantes. A minha sorte foi agoirada e desta vez tirei uma senha sem prémio. Desta vez o premiado foi o Sotero, não com uma garrafa de vinho mas com um frasco de óleo para a bicicleta.

Terminadas as pedaladas pelos trilhos da Lampreia, os amantes da iguaria puderam saborear a rainha da rota, num almoço preparado pela organização. Nós, como da lampreia só gostamos dos trilhos, ficamos pelas sempre deliciosas e fiéis febras.

A Darque Bike Team está de parabéns pela organização deste evento. Apesar de ter cariz não competitivo (sem classificação) conseguiram apresentar bons trilhos, ao longo de um percurso variado. As marcações apresentaram algumas lacunas pois, além do grupo perdido que mencionei, também estive num grupo que perdeu uma fita de marcação no final da última descida de terra antes das vielas e das escadas.
Os banhos e as condições dos balneários eram excelentes. A lavagem das bicicletas também funcionou muito bem e esteve organizada. A presença de vários fotógrafos ao longo do percurso é um aspecto bem positivo. O almoço também esteve à altura.

Resumidamente, foi muito bom voltar a Darque.
Até à próxima!

Ricardo Marques
2016/04/10

 

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Pelos Trilhos da Maria da Fonte’16

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Reza a lenda que…

Maria da Fonte, ou Revolução do Minho, é o nome dado a uma revolta popular ocorrida na primavera de 1846 contra o governo cartista presidido por António Bernardo da Costa Cabral.
A revolta resultou das tensões sociais remanescentes das guerras liberais, exacerbadas pelo grande descontentamento popular gerado pelas novas leis de recrutamento militar que se lhe seguiram, por alterações fiscais e pela proibição de realizar enterros dentro de igrejas.
Iniciou-se na zona de Póvoa de Lanhoso uma sublevação popular que se foi progressivamente estendendo a todo o norte de Portugal. A instigadora dos motins iniciais terá sido uma mulher do povo chamada Maria, natural da freguesia de Fontarcada, que por isso ficaria conhecida pela alcunha de Maria da Fonte.

Ora, graças a este episódio da História de Portugal, nasceu uma bela homenagem em formato de passeio de BTT.
Esta modalidade tem o poder e a responsabilidade de divulgar e preservar, não só as belas paisagens por onde passa mas também as tradições, costumes, história e património das suas gentes. Na qualidade de praticante sinto-me um privilegiado nesse aspecto em particular.

O tempo pré-primaveril brindou-nos com o excelente dia de sol que ansiávamos para poder desfrutar dos duros mas belos trilhos minhotos.
À chegada ao centro da Póvoa de Lanhoso, aguardava-nos a anfitriã, de revólver em punho, com a sua postura guerreira. Felizmente, esse ar intimidador estava imortalizado numa estátua.

As cerca de quatro centenas de participantes aguardaram impacientemente pelas primeiras pedaladas. Mas o ligeiro atraso no início não removeu o entusiasmo dos atletas que, ora munidos de bicicletas de suspensão total, ora de semi-rígidas, ora de velhinhos clássicos, atacaram os quarenta quilómetros com a adrenalina em alta.

O desenho geográfico da região fazia antever um constante sobe e desce inevitável, mas a esse dado foram acrescentados quilómetros e quilómetros de trilhos fantásticos – uns mais técnicos que outros – , paisagens belíssimas, a obrigatória calçada romana, cristalinos riachos, admiráveis exemplares de raça barrosã e a simpatia das gentes.
Predicados de um Minho com muito para oferecer e, claro está, descobrir.

Apesar de se tratar “apenas” de um passeio sem cariz competitivo e sem classificações o grau de exigência foi elevado, quer nas intermináveis subidas, quer nas brutais descidas, quer nos singletracks mais técnicos, tendo sido constantemente necessário um kit de unhas bem afiado!
A exigência aliada à distracção e ao erro de cálculo levaram-me a testar o nível de amortecimento do chão. Felizmente sem danos de maior. Salvaram-se as gargalhadas.

A organização está de parabéns pela bela manhã de BTT que nos proporcionaram.
O local de acolhimento/chegada correspondeu às exigências. Os banhos não estavam maus de todo. A lavagem das bicicletas foi célere mas eficaz.

Quanto ao percurso, foi bem escolhido e teve um pouco de tudo. A presença de elementos da organização e/ou das autoridades nos cruzamentos foi notória.
Estava bem marcado, apesar de nos últimos cinco quilómetros não termos visto uma fita, o que nos levou a descer o monte até ao sopé e voltar a subir até ao reencontro com o trajecto do passeio. Com esta distracção somámos mais dois quilómetros e meio e também um KOM e um segundo lugar no Strava!

Em relação aos reforços, ambos estavam estrategicamente bem posicionados e recheados com a variedade necessária. Contudo, nunca se deve enganar ninguém colocando bebida energética dentro de um barril de cerveja!

Ficaram apenas a faltar as famosas escadas no final.

Este ano, o Rota da Rolha BTT esteve presente com três elementos mas, numa próxima visita, esperamos voltar com mais atletas.

Ricardo Marques
2016/03/13

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Trilho dos Moinhos’16

IMG_20160229_180553 Barcelos assume um lugar especial no meu mapa betetista. Foi nesta cidade minhota que em Setembro de 2012 me lancei no BTT de corpo e alma. Desde a estreia, na Maratona dos 5 Cumes, já se sucederam vários regressos ao “local de nascença”, não só em repetidas presenças nesse evento em particular, mas também na participação no Trilho dos Moinhos, na sua edição de 2013.

Após um ano de 2015 sem participar nos eventos dos Amigos da Montanha imperava matar saudades dos trilhos barcelenses e dos seus montes.

As memórias de 2013 recordavam-me um percurso onde os moinhos eram os reis, estando eles activos ou em ruínas. Este ano, fiquei com a sensação que passaram  um pouco mais despercebidos.

Como é apanágio do Rota da Rolha BTT chegámos à zona de partida a escassos dois minutos do início da prova, mas bem a tempo de rever um velho conhecido, o Paulo Costa, que no ano anterior acompanhou os dois bravos rolhas pelo Caminho Português de Santiago.

A primeira dezena de quilómetros rolou pelo alcatrão e pelos paralelos de Barcelos, numa tentativa de esticar o pelotão de cerca de 1200 atletas. Mas, com meia dúzia de metros percorridos no mato, surgiu o primeiro engarrafamento. Um segmento de calçada romana em precário estado serviu de travão a muita gente e aumentou a impaciência de muitos que, subitamente, se viram ladeados de betetistas transpondo o obstáculo a pé.
Mas, havia ainda cerca de 3/4 do percurso para desfrutar, por isso não havia razões para mau humor precoce.

De monte em monte, fomos somando quilómetros pelos trilhos barcelenses, ora bastante rolantes, ora pejados de pedras, ora inundados de lama.
A muita chuva dos últimos dias fazia antever trilhos lamacentos, o que foi um facto, mas felizmente foram só alguns troços.

O monte d’Assaia serviu de palco para alguns dos melhores momentos do Trilho dos Moinhos. Depois de um reforço composto pelas tradicionais bolas de berlim, além de frutas e líquidos, chegaram os aguardados singletracks.  Um belo serpenteado entre eucaliptos, pautado aqui e ali por zonas mais técnicas de pedra e lama, fizeram as delicias de quem se deslocou a Barcelos.
Já na aproximação final à cidade houve ainda tempo para um último singletrack, desta feita, numa das margens do rio Cávado.

Mais uma vez os Amigos da Montanha demonstraram a sua capacidade e a sua qualidade organizativa com um percurso bem marcado e vigiado (cruzamentos), com a animação na zona de partida/chegada, banhos com boas condições e mantendo a tradição da bifana e da bebida no final.

É sempre bom voltar a casa.

Ricardo Marques
28/02/2016

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Raid Btt Lagoas de Mira’16

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Dois anos depois regressámos a Mira para, pela segunda vez, participarmos no evento de Btt organizado pela Associação Cicloturista do Cabeço de Mira(ACCM). Ver aqui
O inverno que tardava em aparecer, aquando da nossa inscrição em dezembro, resolveu aparecer com todo o seu vigor no dia da prova. Chuva forte e vento intenso colocavam a zona em alerta laranja o que, aliados a dez dias de chuva ininterrupta, faziam adivinhar um terreno complicado. Contudo, inspirados pelo santo padroeiro de Mira, lá seguimos viagem até ao distrito de Aveiro. Era ver para crer!
Nem as turbulências logísticas de última hora nos retiraram a vontade de rasgar os trilhos lamacentos que nos aguardariam.

Em tempo recorde chegámos a Mira, onde a azáfama de bicicletas já era evidente. A animação estava instalada na escola, local onde seria dado o tiro de partida, mas ainda urgia levantar os frontais e preparar o material.
Sem surpresa alguma a cauda do pelotão estava reservado para nós. Mais uma vez iríamos arrancar de trás para a frente. De consolo serviu-nos a vista privilegiada para o ritmo alucinante  da frente da corrida, que passava fora doa muros da escola. Na cabeça do extenso pelotão (perto de 800 malucos marcaram presença) lá estavam nomes bem conhecidos do panorama betetista nacional, tal como, Vítor Gamito e José Rosa.

Curiosamente, a chuva copiosa que caiu durante a viagem cessou mas, a espaços, o vento mostrava a sua força.
Os primeiros quilómetros foram urbanos e serviram para organizar ritmos entre o pelotão. Apesar da chuva, o apoio entusiasta foi visível mostrando que o btt além de um desporto é uma festa.

No final da primeira ciclovia incluída no trajecto deste ano surgiu o primeiro engarrafamento, provocado por uma tampa de saneamento que resolveu surfar.
A dureza do terreno foi ficando patente nos quadros barrentos das bicicletas, nas várias correntes partidas e nos tombos que ia encontrando pelo caminho. Apesar da pouca altimetria do traçado, as quantidades industriais de lama em alguns pontos e o vento no ponto cardeal inimigo dos ciclistas, o de frente, aumentavam a exigência da tarefa.
À semelhança da edição de 2014, estava prometida a passagem por várias quintas da região, bem como pelo ex-libris dos singletracks de Mira, o crossódromo! Neste local o singletrack foi redesenhado e, uma vez mais, sem inventar muito proporcionaram um troço bem divertido onde se incluíam pontes e a mítica passagem por cima de carros.
Na zona das lagoas que dão o nome ao evento, estava situada a divisão dos dois percursos. Aqui era possível pedalar mais meia dúzia de quilómetros e concluir os cerca de 35 kms da meia maratona, ou então abraçar mais vinte e poucos quilómetros de adrenalina.
Avaliando o meu estado físico do momento decidi arriscar pelo trajecto mais longo, apesar da falta de ritmo de treino. Em boa hora o fiz.
À chegada a um dos parques deparámo-nos com uns senhores num alpendre à volta de uma mesa. Bastou uma saudação e meia dúzia de palavras para sermos recompensados com uma caneca de Vinho do Porto. Segundo o Sotero, foi directamente para os músculos!
Já com o stock de forças a diminuir cheguei ao segundo e último reforço. A simpatia do staff , fêveras no pão, minis fresquinhas e outras iguarias ajudaram a ganhar alento para os 15 quilómetros finais. Grande parte destes quilómetros coincidiram com o início do trajecto da edição de 2014, sendo a parte final comum. A cinco quilómetros da meta as malditas cãibras surgiram inesperadamente mas, tão perto do final, só restava sofrer mais um pouco.

Este ano decidimos ficar até a festa encerrar e optámos por inscrição com almoço, mas este deixou um pouco a desejar. Outro aspecto negativo que destaco prende-se com a classificação. Segundo sei esta esteve a cargo de uma empresa munida de um sistema informático, sistema esse que apresentou falhas visíveis. Eu fiz os 55kms, passei em todos os postos de controlo, mas não consto da classificação final. O mesmo aconteceu a outro elemento do Rota da Rolha BTT. E sei que não fomos casos singulares.
Felizmente os aspectos positivos foram em maior número. Marcações muito boas, trabalho nos trilhos, várias pontes, banhos excelentes, simpatia do staff e, a mais importante de todas, a vertente solidária do evento.

De resto, é justo voltar a dar uma palavra de apreço para com a organização que, apesar da intempérie, manteve o evento de pé.
E ainda bem que o fez, pois a diversão esteve garantida! E ainda voltei a casa com uma bela garrafa de champanhe!

Ricardo Marques
2016/01/10

 

 

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5ª Meia Maratona Vilela BTT’15

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Deja vú.
Este poderá ser um dos mais perfeitos sinónimos da minha, ou melhor, nossa participação no evento de BTT da Comissão de Melhoramentos de Vilela.
À semelhança da edição transacta, uma gripe impediu a participação de um terceiro elemento do Rota da Rolha BTT, por isso a dupla que, no ano passado, representou o grupo voltou aos trilhos de Vilela.

A história da nossa participação começou a escrever-se ainda antes de ser dado o sinal de partida. Depois de andarmos às voltas lá conseguimos dar com o largo da igreja e, a cerca de dez minutos do início da prova, passámos de carro junto à linha de partida, perante o olhar incrédulo dos participantes que estavam em pulgas para começar a pedalar.
Em modo de sprint lá nos equipámos e tratamos da logística de preparar as bicicletas, enquanto um elemento do staff se disponibilizou para nos levantar os dorsais.
Em cima da hora de partida passámos pelo controlo zero e, de imediato, se deu o início da prova.

Perante as circunstâncias sabíamos que teríamos que gerir o esforço nos primeiros quilómetros, de forma a evitar lesões indesejáveis. No meio de tanta correria era impossível que não me esquecesse de algo, desta feita deixei os óculos no carro. Um mal menor.
Apesar de um início atípico e da falta de aquecimento não nos demovemos da intenção de explorar o que o percurso mais longo tinha para oferecer.
E em boa hora o fizemos. A organização serviu-nos um belo menu de trilhos, onde constavam os espectaculares trilhos repletos de pontes do ano anterior, bem como algumas novidades.
Felizmente este ano o S.Pedro foi mais generoso e brindou-nos com um belo dia de outono, a contragosto da lama que não pôde fazer das suas.
Curiosamente, apesar de o terreno não estar tão pesado, vi atletas acidentados. É sempre de lamentar.

Novamente uma palavra positiva para as gentes das povoações por onde fomos passando que, regra geral, mostraram o seu entusiasmo aplaudindo e incentivando.
À semelhança da última edição também este ano fiz a boa acção de betetista, cedendo a minha bomba a um participante em apuros.
Este ano as placas humorísticas voltaram a fazer parte do percurso, embora mudando de protagonista. Estes apontamentos humorísticos são sempre bem vindos mas, na minha opinião, mereciam uns pequenos ajustes, nomeadamente no texto apresentado. Por vezes, só parando é que se conseguia ler a mensagem escrita.
Gostei do percurso dos 45 quilómetros embora, numa ou outra ocasião, a pouca visibilidade das fitas me fizesse andar à procura delas.
O percurso era equilibrado, com bons trilhos e zonas de aceleração. Os reforços estavam bem equipados e geridos por gente boa.

Como é tradição a prova não termina na linha de meta, mas sim à mesa com o habitual almoço convívio entre os participantes. Até aqui o staff continuou a mostrar toda a sua simpatia, fazendo-nos sentir em casa.
Tal como aconteceu no último ano, durante o almoço, foi realizado um sorteio de vários brindes. Novamente fui contemplado com uma garrafa de vinho. É a parelha ideal para o brinde que foi oferecido a todos os participantes, uma pequena caneca de barro.

A caminho do carro houve ainda direito para uma foto com o vencedor dos 45 kms e também campeão nacional, José Rosa.

Ao contrário do que vem sendo hábito, esta crónica não é acompanhada pela foto do dorsal que usei, pois o mesmo voou durante a viagem de regresso. Mas, mesmo depois de terminadas as festividades, a organização continuou a demonstrar toda a sua simpatia e boa vontade, comprometendo-se ao envio de um novo dorsal.

Um bem hajam!

Ricardo Marques
2015/11/16

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